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Retorno de Athletico e Coritiba à Serie A: Fatos de 2025
Por Redação FutCAP em 31/12/2025 04:19
O ciclo esportivo de 2025 representou uma ruptura histórica para o cenário do futebol no Paraná. Pela primeira vez em três décadas, o estado iniciou o calendário sem representantes na divisão principal do Campeonato Brasileiro. Contudo, o que parecia um ano de estagnação transformou-se em um período de intensa movimentação, culminando com o retorno da dupla Athletiba à Série A e o ressurgimento de forças do interior.
O desfecho da temporada trouxe o Coritiba como o grande protagonista da Segunda Divisão, assegurando o tricampeonato da competição após superar o Amazonas em solo manauara. Já o Athletico, após uma trajetória tortuosa, confirmou sua ascensão na última rodada. No interior, o Londrina celebrou o retorno à Série B, enquanto o Operário-PR, sob o comando de um ídolo regional, garantiu sua estabilidade no cenário nacional.
Para sistematizar o desempenho das principais agremiações ao longo deste ano singular, os resultados finais apresentam o seguinte panorama:
| Clube | Principal Desfecho em 2025 |
|---|---|
| Coritiba | Campeão da Série B e Campeão Paranaense Feminino |
| Athletico | Acesso à Série A e Campeão da Taça dos Campeões |
| Londrina | Acesso à Série B |
| Operário-PR | Campeão Paranaense e permanência na Série B |
| Maringá | Estreia na Série C |
| Paraná Clube | Rebaixado no Campeonato Paranaense |
A redenção de Athletico e Coritiba rumo à Série A
A caminhada do Athletico na Série B foi marcada por contornos dramáticos. O momento mais emblemático dessa jornada ocorreu em Araraquara, na chamada "batalha" contra a Ferroviária. Após um erro grave do goleiro Santos, o time buscou uma virada heróica nos instantes finais com gols de João Cruz e Renan Peixoto, resultado que pavimentou o caminho de volta à elite do futebol brasileiro.
O Coritiba, por sua vez, embora tenha demonstrado superioridade técnica, não escapou de momentos de atrito com seu torcedor. Mesmo garantindo o acesso antecipadamente, o empate contra o Athletic no Couto Pereira gerou vaias e protestos, evidenciando a alta exigência da arquibancada. A consagração definitiva veio apenas na rodada final, consolidando a hegemonia alviverde na categoria.
Além do sucesso no masculino, o Coritiba expandiu suas fronteiras no futebol feminino. Em parceria com o Imperial, as Gurias do Coxa conquistaram o título estadual de forma invicta, superando o Toledo na decisão. O feito garante ao clube a participação na Série A3 do Brasileirão e na Copa do Brasil em 2026, sinalizando um novo horizonte para a modalidade no Alto da Glória.
Tensões institucionais e o divórcio com a arquibancada
A gestão de Mario Celso Petraglia no Athletico enfrentou um dos períodos de maior resistência popular. Durante o Campeonato Paranaense, o descontentamento com o rebaixamento no ano do centenário transbordou para as arquibancadas. Em um episódio que simbolizou o desgaste, o mandatário respondeu aos insultos dos torcedores com gestos obscenos, intensificando o clima de hostilidade na Arena da Baixada.
Os protestos não se limitaram ao estádio. Manifestantes utilizaram caricaturas de dirigentes associadas a símbolos financeiros para criticar a condução administrativa do Furacão. No campo, a tensão também se manifestou de forma física: durante as quartas de final da Copa do Brasil contra o Corinthians, um torcedor invadiu o gramado para agredir o goleiro adversário, resultando em sanções jurídicas imediatas.
No Coritiba, a insatisfação foi direcionada aos investidores da SAF. Cerca de 150 torcedores deslocaram-se até a Avenida Faria Lima, em São Paulo, para protestar em frente à sede da Treecorp. O movimento questionava os rumos do clube após eliminações precoces no início do ano. Paralelamente, uma proposta de fusão entre Coritiba e Paraná Clube, sugerida por Joel Malucelli, agitou os bastidores, mas foi prontamente descartada pela diretoria alviverde.
Equívocos técnicos e o inusitado nos gramados paranaenses
O ano de 2025 também foi fértil em episódios bizarros e falhas administrativas. O Paraná Clube, em sua tentativa de reconstrução, cometeu um erro primário ao realizar seis substituições em uma partida contra o Cascavel. Embora o tribunal esportivo tenha mantido o resultado de campo, o incidente expôs a fragilidade organizacional do Tricolor, que culminaria em um novo rebaixamento estadual.
A breve passagem de Argel Fuchs pelo comando paranista também deixou marcas. Ao ser demitido após apenas cinco rodadas, o técnico disparou críticas severas à estrutura do clube:
?Vou torcer pela recuperação o mais rápido possível. Cada degrau é difícil, para cair é muito fácil e construir é muito difícil. Destruir é muito fácil, destruíram o clube e agora está se reconstruindo. Precisamos salvar a instituição, tem grandes profissionais no mercado?
Outro fato que beirou o surrealismo foi o anúncio falso de Neymar como reforço do Coritiba, fruto de um ataque cibernético ao site oficial do clube. No campo das celebridades, a repatriação de Rafinha terminou de forma melancólica. O lateral deixou o Coxa após apenas três meses, motivado por uma viagem não autorizada para participar de um evento festivo do Bayern de Munique na Europa.
O cenário das divisões de acesso e o futebol feminino
No interior, o Operário-PR apostou em Alex para sua primeira experiência como treinador em solo paranaense. O ídolo nacional conseguiu cumprir o objetivo de manter o Fantasma na Série B, registrando um aproveitamento equilibrado ao longo de 26 partidas. Já o Maringá encerrou o ciclo de Jorge Castilho, um dos técnicos mais longevos do país, após uma sequência negativa na Série C.
O Londrina, sob a batuta de Roger Silva, proporcionou uma das imagens mais marcantes do ano ao comemorar o acesso à Série B em um caminhão de bombeiros pelas ruas da cidade. A euforia foi tamanha que o treinador celebrou sem camisa junto aos atletas, embora tenha deixado o clube pouco tempo depois para assumir um novo desafio no Sport Recife.
Por fim, o clássico Athletiba do início do ano sintetizou a turbulência de 2025. Disputado sob um temporal que alagou o gramado do Couto Pereira, o confronto terminou em uma briga generalizada que resultou em 11 expulsões e pesadas suspensões impostas pelo STJD. Foi o retrato fiel de um ano onde o futebol paranaense, entre erros e acertos, buscou reencontrar seu lugar de relevância no mapa nacional.
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